Tumor de mama em gatas: devo me preocupar?

A cada ano que passa, o número de pessoas que convivem com gatos tem aumentado no mundo todo, e as razões são as mais diversas. O gato é, de maneira geral, um pet que se adapta bem a espaços menores como apartamentos e pequenas moradias, cada vez mais comuns nas grandes cidades; costumam ficar bem em casa sozinhos enquanto a família está ausente (no trabalho, escola etc); não exigem passeios constantes (como os cães) e podem ter custo de manutenção mais baixo. Entretanto, apesar de conquistarem cada vez mais amor e espaço nos lares humanos, ainda é baixa a frequência com que os felinos vão ao veterinário.


Reconheço que a ida ao consultório veterinário pode ser muito estressante para o gato e para a família, e é comum que os gatos só cheguem ao veterinário quando já estão doentes ou com algum sintoma de que algo não vai bem. Os felinos são animais que geralmente demoram para apresentar sintomas de alguma doença e, por esse motivo, o diagnóstico muitas vezes acaba sendo tardio.


A falta do hábito das pessoas levarem seus gatos ao veterinário com frequência pode ser determinante nos casos de câncer. A medicina preventiva e a detecção precoce de tumores são extremamente importantes para aumentar as chances de cura da doença. Para aumentarem as chances de um diagnóstico precoce, mesmo antes de que qualquer sintoma apareça, é fundamental levar os gatos ao veterinário no mínimo uma vez por ano.



O câncer de mama pode se desenvolver em gatas de todas as raças, especialmente as adultas ou de idade avançada. A maioria dos tumores encontrados nas felinas é maligna e pode causar a morte se não for tratada precocemente.



Donos de gatas precisam estar sempre bem atentos a alterações em suas mamas e em seu comportamento. Qualquer mínima alteração é sinal de alerta e motivo para buscar a orientação de um veterinário.




Em comparação aos tumores mamários em cadelas, os que acometem as gatas têm um comportamento biológico naturalmente mais agressivo. Em muitos casos, mesmo com o tratamento, podem surgir metástases, por isso, a rápida retirada de qualquer nódulo e sua análise e acompanhamento por um veterinário oncologista é fundamental.


Como identificar o câncer de mama em gatas

Os principais fatores que contribuem para o surgimento do câncer de mama em gatas são o uso de anticoncepcionais e a falta de castração. Felizmente, a cada ano que passa mais e mais gatas são esterilizadas (castradas), até antes de terem seu primeiro cio, e o uso de anticoncepcionais está diminuindo rapidamente.


Na grande maioria das vezes, a gata com tumor mamário não tem alterações no comportamento e nem sinais muito claros da doença, e somente tocando as mamas conseguimos notar alguma alteração. Entretanto, muitas gatas não gostam de serem acariciadas na barriga, que pode ser muito sensível para os felinos, o que pode dificultar o exame pela família. Sempre que possível, quem convive com gatas deve criar o costume de apalpar suas mamas buscando alterações como nódulos ou texturas diferentes na pele.


Há outros sinais de que a gata não está bem, como perda de peso e de apetite e, em casos em que a doença já atingiu os pulmões, respiração ofegante. Infelizmente as alterações respiratórias só costumam aparecer no momento mais avançado da doença, por isso a importância do diagnóstico precoce. Qualquer alteração próxima a uma ou mais mamas das gatas ou em seu comportamento já serve como sinal de alerta e a ajuda profissional deve ser buscada imediatamente.


Tratamento do câncer de mama em gatas

Apesar de existirem exames como radiografia e ultrassonografia, que ajudam a descobrir a extensão dos tumores, somente a análise feita após a mastectomia (biópsia) pode comprovar a agressividade do nódulo e revelar se é maligno ou não. A partir do resultado da biópsia e juntamente com o estadiamento oncológico, o tipo de tratamento poderá ser definido.


A mastectomia em conjunto com a quimioterapia ou eletroquimioterapia normalmente são os tratamentos mais indicados para tumores mamários em felinos (para saber mais sobre eletroquimioterapia leia em Eletroquimioterapia: poderosa contra o câncer, ainda pouco conhecida entre os veterinários)


A reação ao tratamento escolhido é diferente para cada animal. Enquanto alguns apresentam perda de peso, enjoos e falta de apetite, outros simplesmente não tem efeito colateral algum. Um acompanhamento de perto deve ser feito ao gato em tratamento oncológico, para que possíveis efeitos colaterais possam ser minimizados (com o uso de antiinflamatórios, analgésicos, medicações para evitar e controlar enjoos, estimulantes de apetite, suplementos para auxiliar no ganho de peso, dentre outros).

Mesmo após o final do tratamento escolhido, o animal que teve câncer deverá ter um acompanhamento veterinário com exames clínicos e de imagem pelo resto de sua vida. Qualidade de vida é e será SEMPRE nosso principal objetivo. Claro que eu quero que meus pacientes vivam por muitos e muitos anos, mas mais importante do que o TEMPO que eles terão pela frente é a QUALIDADE desse tempo, nosso principal objetivo, e por isso o diagnóstico precoce e o acompanhamento frequente são tão importantes!


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