Alerta às famílias com Pugs e Bulldogues franceses

De tempos em tempos algumas raças são criadas e comercializadas em maior quantidade, caindo no gosto das famílias e, com isso, aumentando o número de exemplares daquelas raças que nós, veterinários, atendemos em nosso dia a dia. Na especialidade de oncologia veterinária, apesar de atender pacientes de todas as raças, algumas acabam aparecendo com mais frequência no consultório vez ou outra. De alguns anos para cá, tenho atendido um número grande de pugs e bulldogues franceses, provavelmente pelo aumento da popularidade desses pequenos em nosso meio.

Há cerca de 5 ou 6 anos os cães da raça pug que eu atendia, por exemplo, era em mais de 70% dos casos para consultas de nutrição, com o intuito de formular dieta para perda de peso. Realmente a quantidade de pugs que necessitam fazer dieta continua alta, sendo que a obesidade e sobrepeso nesses cães interfere diretamente com sua saúde, qualidade e tempo de vida (falarei sobre isso em post próximo); entretanto, com o passar do tempo, o número de cães dessa raça com diagnóstico de tumores, principalmente mastocitoma, começou a aumentar de maneira espantosa.


Diante do crescente número de pacientes dessas raças (pug e bulldogue francês) fui procurar na literatura se, de fato, há alguma tendência para desenvolvimento de tumores nesses pequenos (além do que eu mesma vejo no consultório diariamente) e encontrei alguns trabalhos que me preocuparam. Um trabalho publicado em 2017 sobre mastocitomas em cães de diversas raças, diagnosticados nos EUA, encontrou um alto índice de cães da raça pug com esse tipo de tumor. Um outro trabalho publicado em ano anterior, concluía que o câncer (de várias origens) pode ser a segunda maior causa de morte em cães da mesma raça, o que me deixou ainda mais preocupada do que eu já estava. Comenta-se sobre a interferência da obesidade na incidência de tumores (sim, há relação entre obesidade e maior probabilidade do aparecimento de um tumor maligno) e da possível relação genética e/ou racial (se um cão tem um tumor maligno, parentes dele teriam maior incidência de também desenvolverem tumores? até que ponto pertencer a essa ou aquela raça interfere no aparecimento de câncer e outras doenças graves?).


Enquanto essas perguntas não são totalmente respondidas o melhor a fazer é manter nossos pequenos peludos saudáveis, com peso adequado e ficar de olho em qualquer alteração que possa acontecer com eles.


Sobre a incidência de tumores em cães da raça bulldogue francês não encontrei muita informação específica da raça, mas o aumento do número de pacientes que eu tenho recebido para acompanhamento oncológico no meu dia a dia vem aumentando. Entretanto, o que realmente me assusta, é a idade cada vez menor dos pacientes oncológicos dessas duas raças: 4 anos, 2 anos e até menos. Nunca me esqueço do dia em que recebi para consulta uma linda pugzinha pós operada de um tumor maligno (mastocitoma) com apenas 10 meses de idade!!! Lá se foi o tempo que o comum era atender cães somente com mais de 10 anos: cada dia que passa atendo pacientes mais e mais novos (e isso é beeeem assustador).

Fica aqui então meu alerta: se você tem um pug ou bulldogue francês, não menospreze qualquer nodulação estranha que encontrar nele: se aparecer qualquer "bolinha", aumento de volume estranho, ou qualquer coisa que "não estava lá antes", leve para avaliação veterinária o quanto antes e não aceite um "vamos esperar para ver se cresce". O tempo para um diagnóstico e tratamento precoce, caso seja um tumor, pode ser o diferencial para saúde e vida do seu cãozinho!


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