Meu cão / gato está com câncer: o que preciso saber para ajudá-lo? Parte I


Coloco aqui respostas atualizadas para algumas perguntas que me foram feitas pela jornalista Fátima Gonçalves quando dei a entrevista sobre câncer em animais para a Revista ZN (muito conhecida na zona norte de SP). Como foi uma entrevista extensa dividi em 2 partes.


ZN - Quais as principais informações que a família precisa ter para poder tratar seu animal com diagnóstico de câncer?

Dra Vanessa – o primeiro passo é não se desesperar. Sei que isso pode ser difícil mas é importante. Muitas vezes a família já acredita de antemão que câncer em animais não tem tratamento e assim já opta pela eutanásia sem nem ao menos procurar saber as opções; ou ficou sabendo que o cão de um conhecido teve câncer e sofreu bastante e fica com aquela imagem negativa na mente. Realmente alguns tipos de cânceres não tem cura, mas há possibilidade de tratamento que dê qualidade de vida ao cão ou gato pelo tempo que for possível: muitas vezes esse tempo acaba sendo meses ou até anos. Há situações também em que a família não se importa muito com uma formação crescendo na pele do seu cãozinho e vai deixando crescer enquanto não está incomodando...quando decide levar ao veterinário pode ser tarde demais pois as células tumorais já podem ter se espalhado pelo corpo sem terem dado sinal disso. Estima-se que um tumor que se apresente no corpo de um cão com 1 centímetro de diâmetro (tamanho de um grão de bico) possui 1 bilhão de células tumorais que, se forem malignas, podem se espalhar rapidamente. ZN – Quais são os animais com maior predisposição para desenvolver algum tipo de câncer? Há raças de cães ou gatos com maior predisposição?

Dra Vanessa – Sim, algumas raças têm maior frequência de certos tipos de tumores ou o comportamento dos tumores nessas raças é diferenciado. Gatas siamesas por exemplo, costumam ter tumores de mama mais agressivos do que outras gatas; tumores de mama em gata costumam ser mais agressivos do que em cadelas; cães da raça Scottish Terrier são mais predispostos a tumores em bexiga; raças grandes e gigantes são mais predispostas a tumores nos ossos; cães e gatos brancos são mais predispostos a tumores em pele, por causa da pouca proteção da pele à exposição aos raios UV do sol.

ZN – há alguma forma de prevenir a doença? O dono pode iniciar alguma forma de prevenção desde que seu pet é ainda um filhotinho?

Dra Vanessa – Em relação aos tumores de pele por exposição ao sol sim, principalmente se o animalzinho for claro ou branco. É necessário evitar a exposição ao sol nos horários mais quentes do dia (assim como é recomendado para nós, seres humanos) e sempre que possível passar protetor solar nas áreas mais expostas, como orelhas, barriga e focinho. Hoje em dia já existem protetores solares específicos para animais de estimação. Além disso levar sempre ao veterinário para check ups anuais, manter boa alimentação e, se possível, mantê-los longe de toxinas como agrotóxicos e cigarro. Há diversos estudos hoje em dia apontando que cães e gatos que convivem com fumantes têm maior risco de desenvolverem certos tipos de cânceres do que aqueles que não são fumantes passivos.


ZN – Há algum sintoma inicial no animal que o dono precisa ficar atento e levá-lo imediatamente ao veterinário?

Dra Vanessa – Sim, qualquer aumento de volume no corpo já pode ser sinal de que “algo não vai bem”. Nunca se deve esperar pra ver se cresce como infelizmente ainda acontece muito. Além disso, qualquer alteração no consumo de água ou comida, mudança em fezes ou urina também devem ser investigadas. Algumas vezes o pet fica só mais “tristinho”, pode ou não vomitar, pode ou não ter diarréia, come menos ou não come, mas nada é muito característico. Alguns gatos por exemplo, com alguns tipos de tumores em intestino apresentam apenas leve perda de peso.....ou vômitos de vez em quando....ou comem menos alguns dias da semana. O câncer pode ser uma doença silenciosa, que cresce muitas vezes durante anos sem manifestar qualquer tipo de sintoma ou sinal, por isso é importantíssimo ficar de olho e levar seu pet ao veterinário se achar que algo não está ok.

ZN – Como é o tratamento de um animal com câncer?

Dra Vanessa – Depende de cada caso. Alguns tipos de tumores requerem cirurgia, outros quimioterapia ou eletroquimioterapia, outros uma combinação desses tratamentos. Radioterapia também começa a ser usada com um pouco mais de acessibilidade no Brasil para animais. Não existe uma regra, por isso a avaliação por um veterinário oncologista é tão importante. Acontece inclusive de dois cães com o mesmo tipo de tumor terem tratamentos completamente diferentes.



Para ler a segunda parte dessa entrevista clique aqui

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