Relato de vida saudável após o tratamento de câncer


Aos meus 25 anos decidi ter um cão de uma raça que sempre gostei: Old English Sheepdog. Foi uma decisão planejada (na verdade um sonho) e sonhava com o dia em que teria um desses peludos só pra mim. Em uma noite no ano de 1999 (época que fiz uma cirurgia de apêndice que me deixou com complicações e idas e vindas ao hospital) encontrei com sua dona na porta de meu prédio uma cachorra dessa raça (Mariana, a “gordinha”) sem saber que, 1 ano depois, ela daria cria aquele que foi meu amigo-cão, meu companheiro nestes últimos quase 15 anos: o Sheepdog Bruno... para mim: o Bruno Sheepdog. Muitas alegrias e muitas emoções nessa década e meia. Bruno me viu entrar e sair da faculdade, me viu desenhar projetos arquitetônicos e acompanhou todo meu sofrimento com os cálculos de resistência dos materiais. Me viu entrar com 32 anos num curso de direito e depois, viu meu stress peticionando eletronicamente num notebook no sofá enquanto gritava nervoso (e cansado) “dá um tempo Bruno, eu estou trabalhando”. Ainda assim ele nunca perdeu a alegria e a capacidade de brincar e de me fazer sorrir. Em 2011 passei pelo momento mais critico que tive com ele: Bruno foi diagnosticado com câncer. Nem sei dizer o que senti quando recebi o diagnóstico: para mim tudo era novo e como para todos o câncer era sinônimo de morte ou perda. Preocupado e um tanto com medo busquei o acompanhamento da Médica Veterinária Dra Vanessa Muradian, responsável pela PetProLife – Nutrição e Oncologia Veterinária. Uma das minhas primeiras perguntas para Dra Vanessa na época foi: quanto tempo ele viveria? Ele tinha quase 11 anos, raça grande, diz-se que vivem pouco tempo ...será que o tratamento valeria a pena? Será que ele iria sofrer? Será que teria pouco tempo pela frente? Dra Vanessa foi bem sincera mas também muito carinhosa, dizendo que não teria como prever quanto tempo ele viveria ou qual seriam suas reações, se as tivesse, mas que o importante era dar uma chance dele ter uma vida digna, com qualidade, até o último segundo, não importando quanto tempo isso significasse. Não foi fácil ouvir isso mas meu coração queria meu cão com vida e uma vida digna, por isso resolvi fazer o tratamento que ela recomendou e torci para dar certo. Fizemos todos os exames necessários e iniciamos as sessões de quimioterapia. Muita expectativa nesse momento: será que cairá o pelo? Será que haverá enjoos, vômitos e diarreia como nos seres humanos? Será que seu coração vai aguentar? Eu ainda era estudante na faculdade de direito, tinha muitas interrogações e indagações e uma grande ansiedade sobre o que iria acontecer com meu amigão. A primeira sessão foi de muita ansiedade (minha) e muita calma (do Bruno), alias para ele tudo aquilo era uma grande brincadeira. Dra Vanessa muita atenciosa e cuidadosa, para melhor conforto dele o deixava tomando soro na veia por um tempo antes da quimio, e ele foi achando tudo aquilo muito engraçado: puxar o equipo, pisar no esparadrapo, brincar em cima da mesa, tudo era motivo de festa pra ele. Depois de um tempo começava a ficar monótono, e me lembro que bem na hora da Dra aplicar o quimioterápico ele resolvia que queria se espreguiçar, sapatear, pular... Hora impropria para tal brincadeira, afinal o remédio era importante e a quimioterapia tinha que ser bem sucedida para todos nós (cão - proprietário - veterinário) . Mas tudo deu certo: o tumor reduziu tanto após essa sessão que na cirurgia tanto ela quanto o cirurgião Dr Paulo Valente tiveram até dificuldade em localizar o tumor, pois ele praticamente havia sumido. Como haviam metástases em outras partes do corpo foi recomendado, por precaução fazermos mais algumas sessões de quimioterapia (ah que pena não gravei essas sessões muito engraçadas: Bruno brincando em cima da mesa e a Dra Vanessa “sambando” pra que tudo saísse conforme o planejado, dada as alegrias do cão-paciente irreverente). O tempo passou e 4 anos depois do Câncer, tínhamos nosso cão ativo e feliz. Aquela pergunta que fiz no momento mais agudo: "quanto tempo um cão com Câncer pode durar?" Eu respondo hoje, no ano de 2015: - Pode existir muita vida para um cão após o diagnóstico de Câncer. E vida com muita alegria para o cão e para seu dono. Vida intensa mesmo. Em 30 de junho de 2015 meu amigo se foi, mas não para o cÂncer nem nada relacionado a isso. O que o levou foi a velhice mesmo, muitos bicos de papagaio na coluna, dificuldades para andar, dor nas articulações. Além disso, minha mãe havia falecido 24 dias antes e ele sentiu muito a partida dela, cães idosos são muito sensíveis emocionalmente e eles eram muito próximos. Essa é a historia do meu Cão Bruno Sheepdog. É parte da minha história também. Para quem duvida que um cão possa ser curado de câncer e se o tratamento é valido e útil eu respondo: sim, sem duvida que sim. Há grandes chances de cura e, nos casos em que a cura não é possível, há muita vida confortável e digna para um cão após tratamento de câncer, ainda que não viva tantos anos quanto meu Bruno viveu. Se você tem um cão ou gato diagnosticado com câncer e está desesperado com esse diagnóstico tenha calma, respire fundo e conte até dez. A Medicina tem evoluído muito e a Medicina Veterinária não fica atrás. Há Veterinários excelentes, não apenas do ponto de vista de conhecimento profissional mas de cuidado, afeto e carinho com a família de seu paciente. Não podemos prever o futuro, mas podemos dar todas s oportunidades para que o futuro seja simples e acolhedor. Só precisamos tentar.

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