Como alimentar cães e gatos com câncer?

Entenda como a alimentação pode ajudar (ou atrapalhar) o tratamento de câncer em cães e gatos

Hoje em dia, o câncer em animais de estimação é uma doença muito frequente, não sendo incomum conversarmos com pessoas que conhecem alguém que tem ou teve um cão ou gato com câncer. Isso ocorre não somente porque nossos pets têm vivido mais, havendo mais tempo para o desenvolvimento de doenças crônicas, mas também porque hoje vivem mais próximos das famílias, de forma que os problemas de saúde são percebidos precocemente. É mais fácil notar uma mudança de comportamento naquele cão ou gato que descansa no tapete da sala enquanto você assiste TV do que naquele que vive no quintal ou pelos telhados. Ao mesmo tempo, a Medicina Veterinária evoluiu muito, ao longo dos anos, em exames especializados e opções de tratamento para animais com câncer, o que aumenta o número de diagnósticos e a possibilidade de oferecer melhor qualidade de vida para os pets.



As formas de tratar o câncer (cirurgia, quimioterapia, radioterapia, eletroquimioterapia, cuidados paliativos) variam de um pet para outro, mas existe algo em comum entre boa parte dos casos: possibilidade de perda de peso e diminuição do apetite. Esta é uma alteração tão frequente nos animais com câncer, que alguns veterinários chegam a dizer que é normal. Porém, apesar de comum, está bem longe de ser normal.


A perda de peso nos cães e gatos com câncer é um problema sério que deve ser investigado e tratado o quanto antes, pois os animais que mais perdem peso são também os que mais apresentam diminuição na qualidade de vida, na resposta ao tratamento e no tempo de sobrevida. Isso significa que um acompanhamento nutricional deve ser feito desde o início do tratamento oncológico, e permanecer até a alta do paciente.



Uma boa nutrição ajuda e muito no tratamento do câncer e na resposta do organismo a uma cirurgia ou quimioterapia, por exemplo, pois beneficia diretamente a imunidade e a cicatrização.



Quando há diminuição do apetite, o primeiro ponto a ser investigado é o MOTIVO: por que o pet está comendo menos? Ele está com dor? Com enjoo? Com indisposição? Entender o motivo que leva um paciente com câncer a não querer comer é o primeiro passo para ajudá-lo.


Algumas dicas que podem auxiliar seu peludo a se alimentar melhor:


1. Mudar a alimentação para algo mais apetitoso que o estimule a comer, sempre com o cuidado de balancear a dieta, pode fazer grande diferença em sua qualidade de vida e recuperação;


2. Verificar com o veterinário responsável a indicação de se utilizar estimulantes de apetite se assim for necessário;


3. Se o pet ficar mais de 3 dias sem comer é indicada a colocação de sondas para alimentação! O mais importante é que ele esteja recebendo todos os nutrientes necessários. Apesar de parecer agressivo, a utilização de sondas pode aumentar e muito a qualidade de vida do pet e fazer com que ele volte a se alimentar sozinho mais rapidamente


4. Verificar com o veterinário a necessidade e possibilidade de ajuste de doses de analgésicos, antiinflamatórios e antieméticos


5. Alguns animais perdem peso MESMO se alimentando bem! Isso deve ser um ALERTA para que se investigue o que está acontecendo e, se necessário, encaminhe para um veterinário nutrólogo. Na verdade, o acompanhamento pelo nutrólogo deve ser realizado desde o diagnóstico, pois se a perda de peso alcançar um grau avançado, dificilmente poderá ser revertida, o que comprometerá a qualidade e o tempo de sobrevida do paciente.


É fundamental estar sempre de olho no que e no quanto os pets estão comendo e buscar a ajuda de um veterinário especializado em nutrição assim que for notada qualquer alteração relacionada ao apetite e ao peso. Às vezes, o animal não responde ao tratamento ou não tem uma recuperação cirúrgica adequada simplesmente porque a nutrição está errada.


A boa alimentação é primordial em todas as fases da vida de qualquer ser vivo, mas torna-se ainda mais decisiva quando os problemas de saúde aparecem. Mesmo quando não há mais formas de curar uma doença, o que mais queremos para esses seres tão lindos é que tenham o máximo de qualidade de vida possível, e a nutrição tem papel fundamental para isso.


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