Diagnóstico de câncer em minutos? Saiba tudo sobre a biópsia no transcirúrgico, poderosa ferramenta


Imagine uma situação: seu cão ou gato tem uma formação no corpo, um nódulo ou tumor como costuma-se dizer, e o médico veterinário recomenda a realização de uma cirurgia para retirar o tumor por completo e enviar ao laboratório para se saber o que era. Muitas dúvidas surgem na sua cabeça: será que vai ficar tudo bem? Será que vai aguentar a anestesia? Será que a recuperação será dolorosa? Apesar das dúvidas você sabe que é o melhor pra ele e vai em frente: seu pet é operado, o tecido retirado é encaminhado ao laboratório e, cerca de 10 angustiantes dias depois você recebe o resultado, dizendo que o tumor era maligno. Dúvidas, medo, ansiedade....será que é grave? Será que é câncer? Será que meu pet precisará de quimioterapia? Você leva o laudo de volta no veterinário e, para sua surpresa, ele diz que no laudo veio escrito que o tumor não foi retirado por completo e que seu bichinho precisará ser operado de novo. Sua reação é enchê-lo de perguntas: "Como assim não tirou tudo? Mas você não foi pra cirurgia para retirar tudo? Você não viu onde estava o tumor?" São perguntas comuns que passa pela sua cabeça para perguntar ao cirurgião, afinal você levou seu pet para que todo o tumor fosse retirado e não entende como pode ter "sobrado" algo.


Para responder essas questões vou tentar explicar como as coisas acontecem em cirurgias oncológicas. Durante a cirurgia, o médico veterinário só consegue analisar e retirar o que ele está vendo, aquilo que se mostra macroscopicamente, ou seja, que pode ser visto a olho nu. Se ele está retirando um tumor, retira a parte que está vendo, mas não tem condições de avaliar se existe infiltração microscópica por células tumorais além da parte retirada. Por esse motivo é recomendado que se retire, além do tumor que o veterinário está vendo, um pouco de tecido a mais, que é tecnicamente chamado de margens cirúrgicas. Isso é realizado para tentar aumentar as chances de se retirar todo o tumor mas nem sempre é possível, dependendo da região do corpo e tamanho do tumor a ser retirado. Abaixo coloco uma foto do que era visível do tumor e circulado em volta até onde precisaria ser cortado, em teoria, para tentar retirar toda a possível infiltração ao redor dele.




Tradicionalmente, o tecido retirado é encaminhado, alguns dias após a cirurgia, para o laboratório para a realização do exame chamado histopatológico, onde o patologista irá avaliar o tumor retirado, para saber se era benigno ou maligno (e, caso maligno, qual o tipo e sua agressividade). Quando solicitado, aproveita-se também para analisar os bordos, as margens da cirurgia, para saber se o tumor foi retirado completamente ou se sobrou algo no corpo do paciente. Quando isso ocorre, pode ser necessária nova cirurgia.


Todos os medos passam novamente pela sua cabeça: ai não, anestesiar de novo? Dar pontos de novo? Ele vai sentir dor e incômodo no pós operatório DE NOVO? Sim, muitas vezes é necessário que tudo isso seja feito novamente, pensando sempre que o que queremos é acabar com aquele tumor por completo, retirá-lo totalmente do corpo do seu bichinho.


Entretanto, há uma opção bastante interessante de se tentar resolver tudo de uma vez, que é a realização de uma avaliação, dentro do centro cirúrgico, por uma patologista veterinária, numa técnica chamada de biopsia por congelação. A PetProLife oferece aos seus clientes essa possibilidade e eu, particularmente, prefiro que seja realizada em todas as cirurgias oncológicas, pois facilita muito o tratamento e diminui a possibilidade do cão ou gato ser anestesiado e operado várias vezes.


Nessa técnica chamamos uma médica veterinária patologista para ficar conosco dentro do centro cirúrgico. O cirurgião veterinário retira uma parte do tumor e entrega para a patologista fazer uma avaliação prévia, ainda com o paciente anestesiado, para saber se o tumor é benigno ou maligno. Se for maligno o cirurgião pode retirar tudo o que ele puder retirar, e aproveita-se para retirar amostras das margens do tumor, tanto laterais quanto profundas, para que o cirurgião possa saber se o que ele retirou foi suficiente ou se ainda sobraram células do tumor no corte da cirurgia. Isso é importantíssimo para o tratamento oncológico, saber até onde o cirurgião deve cortar, quanto a mais de tecido precisa ser retirado para que o tumor possa ser eliminado por completo e ter certeza quando isso não for possível de ser realizado.


Quando isso não é possível, ou seja, quando o cirurgião já retirou tudo o que podia e as análises pela patologista confirmam que ainda há células tumorais no paciente, há a possibilidade de, ainda com o paciente anestesiado, utilizar-se de técnicas adicionais, como eletroquimioterapia no transcirúrgico por exemplo, como foi realizado no caso da SharPei com mastocitoma publicado aqui.


A técnica tem suas limitações, nem sempre conseguimos ter certeza, na hora, do tipo tumoral, mas ajuda E MUITO na tomada de decisão sobre o tanto que se deve retirar na cirurgia e se há necessidade de eletroquimioterapia ou não, por exemplo (para saber mais sobre eletroquimioterapia clique aqui).


A Medicina Veterinária tem evoluído a passos largos, e devemos aproveitar os recursos que nos são oferecidos. O número de cães e gatos com tumores malignos aumenta a cada ano, mas as novidades em tratamentos aumenta no mesmo ritmo, e cada vez mais podemos oferecer qualidade de vida e bem estar aos pacientes diagnosticados com câncer ou tumores malignos.


Se tiver dúvidas a respeito fique à vontade para perguntar, ficarei feliz em responder seus questionamentos. Se gostou do texto compartilhe aos seus amigos, para que cada vez mais animais de estimação possam ser beneficiadas com os avanços na Medicina Veterinária Moderna.

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